A dor da perda

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Para começo de conversa tenho que confessar: sou um chorão. Choro ouvindo alguma música que foi marcante em algum momento; choro em filmes, séries de TV, livros; choro também com lembranças, lambanças do passado, acertos do passado e, principalmente, com os momentos felizes que passaram. Acredito que é isso que nos faz humanos: ter o direito de desabar.

 

Conheço algumas pessoas bem práticas. Que seguem firme na vida focadas em não se deixar abalar, acreditam que cair diante de um sentimento é sinal de fraqueza nesse mundo marcado pelo instantâneo, pelo imediato, pela obrigação de ser “operacional” em todos os campos da existência. Eu, daqui da minha cadeira cativa no muro das lamentações da esquina, peço um Marker’s com duas pedras de gelo, olho para a TV e vejo que não estou sozinho.

 

Desde pequeno nós, meninos, somos criados sob o mandamento de que “homem não chora”. Ou, caso goste, “Boys Don’t Cry”, como canta Robert Smith no The Cure. Existe um momento em que isso é permitido: dentro das quatro linhas. A Copa do Brasil mostrou um rio de lágrimas, todos devidamente acompanhados por mim. A eliminação do Japão foi um exemplo. Ver os jogadores em petição de miséria, depois de se matarem em campo, diante da sua torcida, tristes, decepcionados, chorões, fazendo uma saudação e pedindo desculpas para aqueles que viajaram o mundo para apoia-los, partiu meu coração tal qual uma canção de Odair José.

 

O guerreiro time do México vencia surpreendentemente a Holanda, umas das sensações do Mundial, até os 42 minutos do segundo tempo. Bastaram duas vaciladas e os craques laranja viraram a partida em menos de seis minutos. Holanda nas quartas, México a caminho do aeroporto. No campo, mexicanos desolados. Esqueceram o dogma da educação machista e deixaram o sangue quente – com um ingrediente latino – correr pelo corpo e expulsar as lágrimas aos borbotões. Chorei junto, o coração ficou apertado. E olha que eu estava torcendo para a Holanda continuar na Copa. Mas no fim, fiquei do lado do sentimento, como sempre, não aprendo, será sempre assim, já estou velho demais para mudar.

 

Na literatura futebolística é clichê dizer que o futebol imita a vida e, já dizia Camus, “o que eu sei sobre a moral e o caráter dos homens eu aprendi nos campos de futebol”, mas é bem isso aí. Camus teria muito o que pensar vendo duas faces da moeda na superação e na mordida de Suárez, no choro de mexicanos e japoneses, no adeus sem emoção dos “operacionais” e pragmáticos espanhóis e ingleses, enfm, um caldeirão de emoções. No futebol que imita a vida, sempre procuro ficar do lado de gente de verdade. Que se permite desabar, errar, lembrar do bom e do ruim, voltar a acreditar. Chorar. Eu choro. Sem a menor vergonha.

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