A redenção só vem com dedicação

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A minha geração é a segunda mais mimada da história. Eu e os da minha época (adolescentes nos anos 1990) crescemos assistindo Sessão da Tarde demais, acreditando muito nos filmes românticos da Meg Ryan, nas facilidades tecnológicas que nos foram apresentadas a cada mês. Crescemos acreditando que éramos merecedores de fazer somente coisas grandiosas. A geração mais mimada de todos os tempos foi a seguinte (adolescentes nos anos 2000). Porque acrescentaram todos os mimos da minha à certeza de que merecem tudo com o esforço e na velocidade de um download de 200 gigas, eles realmente acreditam que em todos os setores da vida são subestimados e foram talhados somente para o fino da bossa.

 

Por isso, temos uma geração de desistentes. Tenho uma amiga que estudou nas melhores faculdades, correu o mundo, tem bom gosto, conhece música, cinema, literatura, mas não consegue ficar em nenhum emprego. Ela acredita que em todos ela faz menos do que realmente merece fazer – e que as pessoas não são lindas e fofas como numa música do Los Hermanos. Vive em casa, sonha sustentada pelos pais, chora enquanto zapeia por 345 canais pagos, enquanto ninguém descobre sua genialidade. Esse é um resumo de vários jovens profissionais que eu conheço, não estou exagerando. Meu conselho é um: redenção só vem com dedicação.

 

E a Copa ensina. Veja o melhor jogador eleito pela Fifa na primeira fase do Mundial, o colombiano James Rodríguez, nosso próximo adversário. Foi largado pelo pai quando criança, criado pela mãe sozinha, garoto tímido, gago. Vida dura, amigo. Foi ganhando seu espaço nos times por onde passou. Graças a sua genialidade em campo e, também, pela generosidade de sempre preferir servir seus companheiros a ele mesmo marcar. Antes da Copa a única coisa que se ouvia da Colômbia era sobre a contusão que tirou seu nome mais famoso, o atacante Falcão Garcia. Nem se falava em Rodríguez. Nem ele próprio. Respondeu em campo com golaços e assistências. Quando marca gol, beija o braço onde tem tatuado o nome da filha. É casado, adora estar com a esposa, não é de badalações, mesmo ainda sendo um menino de 22 anos. Ele entrou nessa vida para ter tudo que não teve quando criança: emprego, bom salario, uma família. A redenção veio com a muita dedicação que aplica em campo.

 

A Argélia que entrou em campo ontem contra a Alemanha tinha mais vontade de ganhar do que simplesmente avançar na Copa do Mundo. Precisava reparar um assunto engasgado. Na Copa de 1982, a Alemanha fez um jogo de compadres com a Áustria somente para desclassificar a Argélia. Essa partida é conhecida como “o jogo da vergonha”.

 

Essa vontade de ganhar que a seleção argelina mostrou ontem e em toda a Copa, tem muito do técnico Vahid Halihodzic. Também na Copa de 82, Halihodzic foi o grande nome da Iugoslávia antes do torneio, mas acabou barrado no Mundial, por conta de interesses comerciais. Sua seleção foi eliminada na primeira fase. Desde então, Halihodzic tem um princípio: somente escalar quem realmente merece jogar, como conta o grande Paulo Vinicius Coelho, da ESPN Brasil. “Seu objetivo é sempre fazer justiça”, diz PVC.

 

Justiça, redenção, sucesso. Coisa que muita gente hoje persegue, mas nem desconfia que isso só vem com muita dedicação. Tem que suar, amigo.

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