O sentido da vida segundo Philip Seymour Hoffman

Philip Seymour Hoffman on Happiness from Patrick Smith on Vimeo.

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Pai

MPJ

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Não vou entrar nessa competição de melhor pai do mundo porque ser pai já deve ser difícil pra caramba. E da forma como eu te conheço, sei que você não quer e nunca quis a tarefa de ser o melhor. Você é só o meu pai, que se parece com tantos outros pais. Nem melhor nem pior.

Só queria mesmo é dizer obrigada por ter me preparado para a vida, sem exatamente me dizer como eu deveria vivê-la. Talvez esse seja o maior desafio: ensinar o que é certo e errado e ter coragem de dizer mais ‘sim’ do que ‘não’.

Obrigada por ter me dado uma moto e me ensinado a esquiar. Isso me ajudou a fazer um sucesso enorme com os meninos e a diminuir meu complexo de andar com as pernas meio tortas.

Obrigada por me entender mesmo eu sendo tão diferente de você. Sei que muitas…

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The Pope Just Released A List of 10 Tips for Becoming a Happier Person and They Are Spot On

Francisco dá os toque

Higher Learning

In a recent interview with the Argentine publication Viva, Pope Francis issued a list of 10 tips to be a happier person, based on his own life experiences.

The Pope encouraged people to be more positive and generous, to turn off the TV and find healthier forms of leisure, and even to stop trying to convert people to one’s own religion.

But his number one piece of advice came in the form of a somewhat cliche Italian phrase that means, “move forward and let others do the same.” It’s basically the Italian equivalent of, “live and let live.” You can check out the full list below.

The Pope gives a thumbs up to an audience in St. Peter’s Square at the Vatican. (Photo: CSV)

The Pope’s 10 Tips for a Happier Life

1. “Live and let live.” Everyone should be guided by this principle, he said, which has a similar expression in…

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A arte de ser infeliz (Paulo Mendes Campos Remix 2014)

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O homem perfeitamente infeliz acredita que a vida é um eterno recomeço e tem direito de desistir de tudo a qualquer tempo; coleciona despedidas como arquivos de mp3 no disco rígido; tem saúde de ferro, só se alimenta de produtos orgânicos; leva uma garrafa de água por onde anda como se fosse o elixir da juventude; seus males físicos são apenas dois: dor de cabeça (mas não toma comprimidos para não alimentar a indústria farmacêutica e, ato contínuo, porque não ingere químicos) e indignação (dispensa ansiolíticos, mas desabafa no Facebook enquanto consome cerveja gourmet).

O pai e o avô do homem infeliz morreram quase aos noventa anos – e ele o diz frequentemente, sempre lembrando que se continuarmos comendo carne, nossa geração não vai chegar lá.

Banho frio por princípio, mesmo no inverno – é um defensor ferrenho do meio-ambiente -, e uma hora e meia de ginástica diária, alterna entre caminhadas, “bike” e pilates.

O homem perfeitamente infeliz julga-se ameaçado: ao norte, pela queda de cabelo; ao sul, pelo partidos de direita que espalham mentiras (ou pelos partidos de esquerda, que querem fazer daqui uma nova Venezuela, existem homens perfeitamente infelizes dos dois lados); a leste, pelo 3g que não funciona; a oeste, pela depravação dos costumes, mas curte mandar fotos amadoras de sexo pelo whatsapp.

Não empresta dinheiro; não deve nada a ninguém; toma notas minuciosas de todas as suas despesas; nunca pagou nada para os outros; não avaliza notas promissórias nem para o próprio filho – na verdade o homem perfeitamente infeliz nem tem filhos e é contra o casamento formal – e tem manifesto orgulho disso. Apesar de ter sacado a grana do cheque especial para cobrir aquela viagem a Europa – o homem infeliz é contra os Estados Unidos imperialistas.

Toma conhecimento de todas as revoluções artísticas e literárias modernas: gênio é o Marcelo Camelo; brasileiro é o Marcelo Camelo; saber português é o Marcelo Camelo.

Usar gerúndio em oração é para ele um crime contra o idioma pátrio, embora seja esta toda a sua ciência a respeito de gramática.

Em sua sala de jantar, o puzzle de um desenho do Romero Britto emoldurado, que ele mesmo montou, quase 10 mil peças.

A força de vontade do homem perfeitamente infeliz é tremenda: ele parou de assistir a Globo e a comer carne há cinco anos, três meses, doze dias. Se não parou, vai parar a qualquer momento.

Homofóbico, embora só confesse aos mais íntimos. Estuda teatro, tem vários amigos gays e repete isso a todo momento; é ateu, acha o catolicismo um freio, claro.

Sua simpatia política é de esquerda, está sempre do lado das minorias e dos menos favorecidos, escreve textos gigantes em defesa dos excluídos direto do seu jardim de inverno, na sua casa de condomínio.

Acha (e infelizmente é verdade) insubstituível em seu trabalho; o escritório não anda sem ele. As redes sociais são o seu recreio mental mais importante; ver séries americanas de TV enriquece seus argumentos nas rodas de bares que vendem chope a 10 reais.

Conhece o preço de todos os gêneros e de todos os objetos usuais; está de olho em qualquer operação lucrativa que subjuga todos os princípios defendidos com orgulho.

Sua psicologia: o mundo ainda vai descobrir minha genialidade.

Sua economia: pagar sempre menos desvalorizando a importância do trabalho ou do produto alheio.

Sociologia: crack é uma doença, mas aqueles viciados me atrapalham quando quero estacionar no centro.

Filosofia: sou sempre melhor do que o que me oferecem.

Considera-se dono de um excelente bom humor; cita ditos históricos e provérbios edificantes; sua glória é poder afirmar, diante de alguém em desgraça: “Bem que eu te avisei!”.

Não diz “minha mulher”, mas a chama de um apelido pretensamente elaborado, sempre com uma boa história por trás. Ela é muito mais perfeitamente infeliz do que ele e nem se dá conta disso.

O mal profundo do homem perfeitamente infeliz é julgar-se um homem perfeitamente feliz.

(essa é uma versão moderna do homem perfeitamente infeliz, descrito pelo mestre Paulo Mendes Campos, na revista Manchete de 1960. Qualquer semelhança com o homem perfeitamente infeliz de hoje em dia, foi essa a ideia mesmo)

Capturando raios

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Ela acendeu um baseado, levantou, bateu a areia na saia jeans e tirou a calcinha. Sentou. Falou entre o determinado e o sexy:

 

– Me chupa.

 

E deitou sobre a toalha que usavam como canga. Ele obedeceu. Ela aproveitava todos os prazeres acumulados com os olhos fechados, a cabeça caída para trás. A luz da lua parecia rebater seus cabelos. O som do mar, calmo, fazia um delicioso contraste com a eletricidade entre os dois. Ele levantava os olhos e de relance admirava sua boca, seu sorriso apertado, sua expressão lânguida. Gemidos querendo sair, contidos, em respeito ao silêncio da praia. Arrepios. Paz.

– Esse foi um dos momentos que não vou esquecer – disse ela.

– Torço pra isso – ele, esperançoso.

– Eu estou falando sério. Não é só aquele negócio “ah, foi legal, nunca vou esquecer isso, obrigada”. Esse momento eu não quero esquecer, porque não sei o que me levou a fazer isso, mas fiz, era o que eu queria sentir. Sabe aqueles momentos em que as coisas acontecem do nada?

– Sou sempre a favor de momentos que acontecem do nada.

– Eu estou falando sério, de verdade, para de piada. Assim que eu sentei, do nada, eu pensei: “quero aproveitar e lembrar de cada segundo do que vai acontecer agora”.

– Você está muito louca.

– É verdade. Tem um monte de coisa que acontece nas nossas vidas que são espetaculares e a gente percebe que não aproveitou intensamente aquele momento. Curte depois e tal, mas fica um pedacinho faltando, ter mergulhado com tudo. Mas é a culpa dessas coisas que acontecem do nada.

– É a beleza das coisas que acontecem do nada. Te pegam de surpresa, nem dá tempo de pensar.

– Eu fiz diferente. Veio do nada e numa fração de segundo me preparei para aproveitar cada segundo desse momento do nada. Foi doido. Eu capturei um raio, um trovão. Já pensou se a gente sempre conseguisse fazer isso?

– Poderíamos correr o risco de reavaliar o momento do nada no futuro e chegarmos a conclusão de que não foram tão do caralho como eram nas nossas lembranças. Poderia não ter sido do caralho agora. Poderia chegar alguém. A maré poderia ter subido. Eu poderia não ter feito o trabalho direito.

– Quer confete, né? Vai ficar querendo.

– Era a ideia. Eu tentei…

– Esse é um momento pra gente curtir. Sem confetes. Vamos ficar aproveitando o pós momento do caralho que aconteceu do nada e eu capturei o raio – diz ela num sorriso, deitando na areia.

– Eu adoro suas teorias. Eu adoro você – diz ele, enquanto dedilha os cabelos dela. Ele olha baixo, entre os eflúvios da marofa e a paixão. Se apaixona por aquela beleza sob à lua. Pela pele, pelo sorriso. Ele quer pega-la nos braços e capturar todos os raios futuros.

– Sem confetes… Já falei.

– Não consigo. Adoro seu cheiro.

– Que cheiro?

– O seu. Mexe comigo. Fico em paz quando sinto seu cheiro. É um raio incapturável. Você não consegue sentir nada de diferente, você já se acostumou. Eu sinto intensamente. É seu, mas é meu. É o seu meu cheiro que me deixa em paz.

– Eu que estou muito louca, né? Não tenho certeza que exista a frase incapturável.

– Você é capaz de fazer poetas inventarem palavras.

– Incrível como você passeia entre o Odair José e o Chico Buarque na qualidade das suas cantadas.

– Elas vêm assim. Do nada.

– Mas não são do caralho, acredite.

– Você caiu.

– Um deslize louco que me acometeu. Veio assim. Do nada. O que será que eu vi em você?

– Apesar de me desmerecer, seu senso de humor é uma das coisas que mais gosto em você. Além do meu charme, a gente tem muito a ver. Você não pode negar isso. E era o destino. O destino quer a gente junto. Já pensou no monte de voltas que o destino teve que dar para nos unir? Tem uma razão.

– O destino até te fez ter um caso com a minha melhor amiga para nos unir. Engraçadinho esse destino…

– Não questione. Deu certo. O destino interfere na vida das pessoas. O destino nos uniu e pode nos manter unidos. Ou então nunca nos unir de verdade.

– Ainda acho que o destino agiu estranhamente no nosso caso.

– Faz parte da beleza da coisa. É inexplicável, imprevisível e totalmente fora de controle ou entendimento.

– Tem alguma prova disso tudo?

– Sabe que é tudo absurdo e irracional?

– Então por que acredita?

– Porque sim. Era a única maneira da gente acreditar que poderia dar certo. A gente veio pra cá impulsionados pela crença no que destino reservou pra gente aqui. Nós somos pessoas que acreditamos em destino, sinais, energias, essas coisas. Vimos “Sessão da Tarde” demais quando crianças.

– Tive uma ideia louca que veio agora do nada.

– Sua vez de chupar agora.

– Hein?

– Qual é a sua ideia?

– Desencanar da vida e ficar aqui nessa ilha, nessa vila, nessa praia deserta. Sem luz, sem banho quente, sem celular, internet, Facebook, trânsito, chatices. Vamos viver de sol, mar, cerveja, baseado e amor. Topa?

– A gente não aguentaria três dias.

– Cadê o poeta Odair José, crédulo do destino? Vamos ficando e a gente descobre o que o destino reserva pra gente disso. Topa?

– A gente não aguentaria três dias.

– Vamos deixar o destino resolver se a gente aguenta ou não. Você me fala esse papo todo, quer que eu acredite mas não mostra toda essa crença no abstrato na prática. Diz que sim. Por mim. Só quero saber se você tem coragem mesmo de largar tudo por mim e deixar o destino tomar as rédeas pra ver onde vai dar. Tem coragem?

– Tá bom – concordou, ele.

– Então tá. Vamos ficar aqui – sentenciou ela, acendendo outro baseado.

A lua, testemunha, foi se despedindo. Eles ficaram. Na praia, no sol, com mar, cerveja, baseados, amor, capturando raios.

Por quatro dias.